Pirataria x Legalidade - A verdadeira realidade do Brasil
Pirataria x Legalidade – A verdadeira realidade do Brasil

Hoje iremos falar de um assunto muito polêmico, que gera conflitos em qualquer sala de bate-papo, grupo de conversas em redes sociais ou comunicadores de smartphones, rodas de escolas ou entre amigos. Abordaremos em tópicos uma gama de informações ao objetivo de demonstrar uma pequena parte da realidade que o país alimenta quanto ao conteúdo televisivo produzido pelos japoneses.

Os tópicos seguirão a seguinte ordem:

  1. Como são produzidos os animes e filmes
  2. Como sobrevivem as produtoras
  3. Como o conteúdo é exportado e distribuído para outros países
  4. Como ele é exportado e distribuído para o Brasil
    1. Fansubs
    2. Speedsubs
    3. Streamings
  5. Custo x Vantagem / Transmissão x Armazenamento
  6. As “dificuldades” culturais
  7. Conclusão

1. Como são produzidos os animes e filmes

Não iremos entrar no espírito da coisa, mas sim na essência dela.

Toda produção de animes e filmes inicia-se na ideia de um roteiro forte com um enredo marcante e personagens capazes de atrair e cativar o público. Na grande maioria das vezes o roteiro já existe, quando transformando o anime ou o filme em uma adaptação de mídia, desde uma light-novel até um jogo de sucesso.

Os filmes em sua maioria, são continuações de um anime serializado em televisão, costumam contar com um outro aspecto, acontecimentos que ligam partes da estória ou simplesmente forçam o ingresso do mesmo ao enredo principal.

Tanto para os animes como para os filmes, ambos são produzidos com recursos muitas vezes escassos, como um investimento que quanto mais o mesmo se tornar agradável ao expectador, mais ele terá visibilidade e vendas; seu resultado final determinará a própria continuidade.

A produção, que conta com seus diversos estágios, desde o roteiro ao pós-produção, ainda é agravada pelo longo tempo exigido no seu preparo, esgotando todo o capital humano existente na equipe do projeto, que indiretamente acaba refletindo na qualidade final da obra. Além da grande pressão já existente por fãs, emissoras de televisão e distribuidoras de produtos para cinemas, pois cada episódio ou filme costumam ser alvos de críticas de muitos fãs próprio do título ou dos gêneros que o título se enquadra.

Isso seria simples, se não fosse o fato que anime se trata de Japão, e Japão a cultura é diferente.

A grande realidade de uma série ou filme animados, é que assim como professores, esses dois meios também são ferramentas da educação. O Japão mesmo com seus ideias de não exportar sua cultura, utiliza desses dois meios para educar e endoculturar sua nação, o que se presume a “carga” pesada que a sociedade coloca sobre os produtores, pois qualquer irrelevância com os costumes japoneses podem levar até ao suicídio dos envolvidos; um exemplo de uma série que por uma crítica cultural foi punida nas lojas pelos fãs, é a série adaptada de Hajime Kamoshida – Sakurasou no Pet na Kanojo.

2. Como sobrevivem as produtoras

Não existe uma fórmula de sucesso, assim como qualquer negócio em qualquer parte do mundo, cabe ao “cabeça” encontrar uma vantagem competitiva e explorá-la até seu esgotamento. E nesse mercado, tão competitivo como o norte americano onde se observa Walt Disney, Time Warnel, Viacon e muitos outros conglomerados se matando pela maior fatia do bolo comercial, ganha aquele que faz melhor pelo menor preço.

Hoje as produtoras japonesas, durante uma serialização em tv ou exibição nas telas de cinema, contabilizam em suas contas uma pequena parcela de retorno de produção (Valores que pagam partes do custo com a produção da série), e só depois de um período, quando a briga se transfere para as livrarias, bancas, lojas de conveniência e de vendas de animes, que as produtoras passam a contabilizar lucro, pois as vendas das mídias físicas, responsáveis pelo pagamento de 70% do custo de produção, depois de um período (quando produção em harmonia) passam a vender o pós custo de produção, ou seja o Lucro.

Considera-se o sucesso ou fracasso de um anime ou um filme, a sua quantidade vendida, pois o peso de 70% do custo de produção é rateado entre 3 e 3,5 mil copias.

Classificação de vendas de mídias (volume x 1.000)

0,0 – 1,0 – Fracasso
1,0 – 3,0 – Ruim
3,0 – 3,5 – Retorno Custo Produção
3,5 – 5,0 – Captação de Lucro Regular
5,0 – 7,5 – Captação de Lucro Bom
7,5 – 9,9 – Captação de Lucro Alto
10,0 – 19,9 – Vantagem Competitiva
n > 20,00 – Estrela de Mercado

3. Como o conteúdo é exportado e distribuído para outros países

Mesmo o Japão com toda sua ideologia de não expandir sua cultura para outros territórios, acaba se utilizando dessa vertente para a obtenção de mais receitas, afinal a exportação de conteúdo hoje é um dos mercados mais aquecidos de todo o globo. Provas disso são os vários dígitos movimentados pela indústria cinematográfica norte americana, os milhões movimentados pelas produtoras de séries e não podemos deixar de mencionar a nossa querida Globo Produções, que é a maior produtora e exportadora de novelas do mundo.

A exportação ocorre através de indústrias de licenciamento, que buscam a divulgação dos títulos em mercados específicos, através de feiras e eventos. Os títulos licenciados são adaptados por sua distribuidora, seja ela uma emissora de televisão, uma distribuidora de produtos para cinemas (geralmente ela também faz a distribuição de mídia física como a Playart Pictures) ou uma empresa de serviço de streaming como Crunchyroll, Netflix e Funianimation.

4. Como ele é exportado e distribuído para o Brasil

O Brasil, apesar de ter sua distribuição por meio de emissoras de TV, tem sua peculiaridade, pois enquanto em outros países este meio equivale a 50% ou mais do mercado, no Brasil ela corresponde a um número muito pequeno devido à forte concorrência produção regional.

  1. Fansubs
    A distribuição mais famosa e antiga de animes e filmes animados, se dá por conta de “Fansubs”, que são grupos organizados que adquirem por meios irregulares os arquivos de transmissão e fazem a tradução e inserção de legendas.
  2. Speedsubs
    Apesar de seu método ser parecido com as da Fansubs, existem duas enormes diferenças, a primeira que as mesmas não utilizam o fim como a diversão e o lazer e sim a busca por lucratividade ilegal do conteúdo, e a segunda, por raptarem os arquivos de transmissão ilegalmente de empresas de Streamings.
  3. Streamings
    Um pouco recente, mas bastante crescente, é a distribuição on-demand via streaming, que tem crescido muito no país devido ao sucesso da Netflix e da Crunchyroll que aos poucos estão expandindo mais sua gama de títulos disponíveis em português.

5. Custo x Vantagem / Transmissão x Armazenamento

No Brasil, muito se diz do quanto custa para adquirir certas vantagens, e nisso inclui-se o Custo Brasil, que nada mais é que a necessidade de lucro por todas as empresas participantes e das tributações geradoras.

Ou seja, para distribuidoras “legais” entregar uma série ou filme até o seu expectador final de forma online, ela terá que gastar uma volumosa quantia de seu caixa para manter o armazenamento dos arquivos e para a manutenção de uma ou várias infraestruturas de rede capazes de suportar a demanda, e se for de maneira física, contar com a locomoção do produto de forma segura até o seu ponto de recepção, e vale considerar nossas dimensões continentais.

Seja online ou seja físico, teremos a intermediação de várias empresas com suas altas necessidades rentáveis, e em ambas as partes a tributação, seja ICMS ou ISS, dependendo da modalidade, são muitas vezes bi arrecadas ou seu montante total torna-se muito maior que o próprio custo de produção lá no Japão.

6. As “dificuldades” culturais

Outro problema que temos, é a nossa Cultura, que como desde o “princípio”, colonizados pela escória portuguesa, formada por ladrões, corruptos e até mesmo assassinos de regime semiaberto, que enraizada sempre busca explorar ao máximo toda a vantagem existente sem desembolsar o mínimo.

É de se ouvir os comentários egoístas de uma grande massa que nunca se preocupou com a sobrevivência dos profissionais que se empenharam duramente na missão de produzir um conteúdo agradável, ou da necessidade de utilizar um dos direitos cujo o governo é seu gestor (exemplo a saúde, que não importa o convênio, sua porta de entrada sempre será os Prontos-Socorros da região do ocorrido): Para que pagar por uma coisa que nem será de tanta qualidade, se posso ter de graça?

7. Conclusão

Concluímos que em um sistema político e econômico harmonioso, poderia termos uma melhor valorização do público para com as animações e filmes, de forma a utilizarem do sistema legal para sua captação, mas é de se admirar que isso está nas melhores utopias para qualquer país subdesenvolvido, afinal somos desenvolvidos pelo único fato de nos acomodar na estrutura atual, e esta estrutura atual, é a que beneficiamos mais os grupos (speedsubs) que através do esforço de outros obtém lucro de forma ilegal sobre suas costas.

E a nossa realidade hoje, é que é muito mais econômico para o nosso bolso a captação através de Fansubs, pois estaremos assumindo apenas o custo da infraestrutura de internet (pagando impostos pelo serviço e a rede de péssima qualidade), mesmo que tal modalidade prejudica os criadores/produtores e que essa medida sabote o governo com sua arrecadação menor de impostos/tributos.